Ano de grandes decisões e mudanças: quais as expectativas econômicas para 2026?
Cenário no Brasil e no mundo é tema de entrevista com o economista Ricardo Buso

Copa do Mundo, eleições nacionais e mudanças no Imposto de Renda colocam 2026 no radar do empresariado. Em meio a juros elevados e um cenário fiscal desafiador, a ampliação da faixa de isenção do IR deve aumentar a renda disponível e suavizar a desaceleração da economia. Para o economista Ricardo Buso, o impacto direto no consumo, no turismo e no varejo sustenta expectativas mais otimistas para o próximo ano. Confira:
2026 terá Copa do Mundo, eleições nacionais e muitos feriados prolongados. Qual deve ser o impacto geral desse calendário no humor e na rotina dos brasileiros? Esses grandes eventos tendem a deixar o país e o comércio mais otimistas?
Em 2026, a principal mudança nos hábitos de consumo vem da ampliação da isenção do Imposto de Renda, que aumenta a renda disponível de trabalhadores com renda mensal entre R$ 3.036 e R$ 7.500 e deve impulsionar o consumo e o crescimento do PIB. Parte desse recurso será usada para reduzir dívidas, mas também libera crédito para o varejo. Mesmo com incertezas eleitorais e juros elevados, a Copa do Mundo e o calendário de feriados favorecem comércio e turismo, sustentando um cenário mais otimista para 2026. É importante lembrar que essa capacidade adicional de consumo será muito disputada, e fazer o consumidor lembrar da marca fará a diferença.
Quais comportamentos do consumidor devem ganhar força em 2026? Emoção, conveniência, busca por preço ou busca por experiência?
Com mais renda disponível para os trabalhadores beneficiados pela isenção ou pelos descontos do Imposto de Renda, a busca por experiência tende a ganhar força no comportamento do consumidor. A preocupação com preço segue presente, principalmente em itens básicos, mas a maior folga no orçamento permite pagar um pouco mais na experiência. E a conveniência continua importante, mas vem sendo cada vez mais atendida pelos aplicativos.
O consumidor estará mais disposto a gastar com lazer e entretenimento ou continuará priorizando compras essenciais?
O ano de 2025 foi marcado por um importante crescimento no mercado de trabalho e na renda média, por consequência. Em 2026, também por conta dos juros, esse movimento deve se conter ou esfriar, mas não necessariamente ao ponto de devolver ganhos de renda. Assim, salvo se houver alguma mudança muito significativa no mercado de trabalho, as compras essenciais foram praticamente garantidas, o que abre margem para gastos com lazer e entretenimento com a maior renda disponível pela isenção do Imposto de Renda.
Quais foram os principais desafios econômicos enfrentados em 2025 e como eles impactaram o cenário nacional?
Em 2025, o principal desafio doméstico foi a falta de contenção dos gastos públicos, refletida no aumento da dívida e na manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano, que deve começar a melhorar em 2026, mas em ritmo muito gradativo. No cenário externo, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos trouxe fortes impactos, mas foi bem enfrentado pela diplomacia brasileira. Com exceções e revogações, hoje apenas parte das exportações segue sobretaxada, o que permitiu ao Brasil superar o choque externo e manter o crescimento das exportações, inclusive na região de Campinas.
Quais setores da economia se destacaram positivamente em 2025?
Apesar da taxa básica de juros em 15%, alguns setores se destacaram em 2025. O agronegócio teve um desempenho expressivo, com ganhos de produtividade, safras recordes e crescimento relevante, além de atuar como proteção frente ao tarifaço. O setor financeiro também apresentou bons resultados, assim como a incorporação imobiliária, impulsionada por novas regras de financiamento. Nos serviços, tecnologia, especialmente a Inteligência Artificial, e educação figuraram entre os destaques do ano.

Qual deve ser o ritmo de crescimento da economia brasileira em 2026 e quais fatores serão determinantes para esse desempenho?
Com a isenção do Imposto de Renda, a economia deve desacelerar de forma mais suave em 2026, com crescimento em torno de 1,9%. Sem a medida, a expansão ficaria mais próxima de 1,7%. O principal fator será a trajetória dos juros, cuja queda deve ser gradual, com o Banco Central ainda cauteloso. A troca de comando no Fed pode abrir espaço para ao menos mais um corte de juros nos Estados Unidos, ampliando o diferencial de taxas, atraindo investimentos para o Brasil e sustentando a valorização do real, o que ajuda a conter a inflação e facilita o trabalho do Banco Central. Apesar das incertezas do ano eleitoral, os maiores riscos ficam concentrados em 2027.
Quais setores da economia devem liderar o crescimento em 2026 e por que eles saem na frente dos demais?
O cenário se mantém favorável aos setores de serviços. Na educação, deve-se manter a procura por cursos de nível superior. E na tecnologia, a busca por soluções de Inteligência Artificial segue em expansão, impulsionada pela necessidade de ganhos de produtividade. Com base na renda adicional trazida pela Isenção de Imposto de Renda, os setores de consumo varejista para a faixa de renda beneficiada, entre R$ 3.036 e R$ 7.500, junto com a cadeia ligada ao turismo, são bem promissores.
Quais fatores podem representar riscos para a estabilidade econômica em 2026?
Como já é previsto que o principal entrave da economia brasileira, os gastos públicos, não será resolvido em pleno ano eleitoral, as projeções já contemplam esse cenário prejudicado. Então, com esse risco "de fora", as maiores chances de riscos à estabilidade vêm do quadro eleitoral, que sempre pode trazer promessas inadequadas, no âmbito doméstico; e alguma instabilidade internacional, diante de um Trump tão imprevisível à frente da maior economia do mundo.
Quais são as expectativas para o consumo interno e o poder de compra da população em 2026?
A manutenção da taxa básica de juros em nível elevado tem prejudicado a atividade econômica, como vem sendo comprovado nos últimos 2 trimestres. Mesmo com eventuais cortes ao longo de 2026, os juros devem permanecer em patamar restritivo, o que tende a esfriar o mercado de trabalho e limitar o consumo e o poder de compra. Ainda assim, a isenção e os descontos do Imposto de Renda para uma parcela expressiva da população compensam em grande parte esse mecanismo, apontando uma desaceleração mais suave, concentrada entre as faixas não beneficiadas pela medida.
Onde o empresário deve enxergar as principais oportunidades de investimento em 2026?
É desafiador falar em oportunidades de investimento em um cenário com juros a 15% ao ano, que tornam a renda fixa extremamente atrativa. Ainda assim, não é isso que os empresários querem. Certamente preferem direcionar recursos para a produção e geração de valor. Nesse contexto, o caminho é se atentar ao público com a renda adicional do IR e investir em ganhos de produtividade, com uma visão de retorno no médio e longo prazo, preparando os negócios para um ambiente futuro de juros mais baixos e consumo menos restrito.
Entre em contato com o nosso time comercial e veja as nossas oportunidades para o seu negócio: https://www.negociosep.com.br/contato/
Continue no Break:
Em acordo inédito, Grupo EP e a franquia da Eletromidia em Campinas anunciam a venda de 60% da operação da franquia ao Grupo EP
O que as empresas mais relevantes do mercado estão usando como estratégia de comunicação?