Dia das Mulheres: O impacto real do poder feminino nas estratégias de mercado

Para além das campanhas sazonais, a data expõe o desafio das marcas em alinhar discurso, cultura interna e estratégia de negócio

| Empresas Pioneiras -

No 8 de março, o consumo feminino revela seu impacto real nas estratégias e no posicionamento das marcas - Crédito: Divulgação
No 8 de março, o consumo feminino revela seu impacto real nas estratégias e no posicionamento das marcas - Crédito: Divulgação

 

Nos últimos anos, o Dia das Mulheres deixou de ser apenas uma data comemorativa no calendário do varejo e passou a funcionar como um termômetro de coerência para as marcas. Mais do que movimentar campanhas sazonais, a data evidencia o impacto real do poder feminino nas estratégias de mercado, um poder que influencia a reputação, direciona decisões e redefine critérios de escolha. 

 

Um estudo realizado pela Accenture aponta que 62% dos consumidores esperam que as empresas se posicionem sobre questões sociais, e 52% já mudaram hábitos de compra com base nos valores das marcas. 

 

Para Vanessa Gamboni, head de Consumer Insights da Bananas Eventos, o erro do mercado está justamente em reduzir o debate a números. "Quando falamos em consumo feminino, estamos falando de muito além de volume. Estamos falando de poder de definição de critério". Segundo ela, a mulher não é apenas quem efetiva a compra, mas quem valida, recomenda, compara, questiona e influencia decisões dentro e fora do lar.  

 

Esse movimento transforma o consumo em influência estrutural. Mais do que protagonizar a jornada de compra, a mulher atua como filtro reputacional, avaliando não apenas o produto, mas o posicionamento, a coerência e o impacto social das marcas. Em um ambiente digitalizado, onde experiências e incoerências circulam com rapidez, esse poder se amplia e ganha dimensão pública.  

 

Nos últimos anos, o comportamento também se sofisticou. A decisão de compra passou a atravessar critérios mais amplos, como propósito, representatividade e cultura organizacional. "Ela olha para muito além do produto. Olha para o ecossistema da marca", explica Vanessa. A compra, nesse contexto, deixa de ser apenas transação e passa a carregar significado simbólico.  


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Levantamentos da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que 67% das mulheres pesquisam preços antes de comprar, índice superior ao observado entre homens, evidenciando um processo de decisão mais analítico e contextual. A consumidora compara, consulta diferentes fontes, observa reputação e considera a experiência de outras pessoas antes de decidir. A escolha deixa de estar centrada apenas no produto e passa a envolver o posicionamento, o impacto social e a coerência da marca.  

 

Nesse cenário, reputação se consolida como ativo estratégico, já que preferência e lealdade estão diretamente ligadas à confiança. Um levantamento divulgado pela Insurance Corp aponta que as mulheres são responsáveis por até 90% das decisões de compra nos lares brasileiros, influenciando diretamente diferentes categorias de consumo. No ambiente digital, onde críticas e recomendações ganham escala rapidamente, essa influência ajuda a redefinir a relação entre consumidores e empresas.  

 

Se o consumo feminino já carrega esse peso estrutural ao longo do ano, no Dia das Mulheres ele se intensifica. A consumidora percebe quando a campanha é pontual, mas não encontra respaldo em políticas internas, representatividade ou práticas consistentes. Há, segundo Vanessa, uma "alfabetização simbólica" maior: a capacidade de identificar oportunismo, romantização ou discursos vazios.  

 

Posicionamento contínuo  

 

Para Juliana Finato, diretora de marketing e fundadora da Kramas Marketing, a presença de mulheres em posições estratégicas contribui para tornar campanhas mais alinhadas à realidade das consumidoras. "A liderança feminina traz repertório vivencial. Quando há mulheres nesses espaços, as decisões deixam de se basear apenas em dados demográficos e passam a considerar experiências reais e contextos sociais que muitas vezes não aparecem nas planilhas". Esse olhar também provoca questionamentos mais profundos dentro das equipes sobre representatividade, estereótipos e coerência entre discurso e prática.  


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A credibilidade das marcas não se constrói apenas no 8 de março. Segundo Juliana, empresas que estabelecem relação sólida com o público feminino são aquelas que tratam o tema de forma contínua, na comunicação, na cultura organizacional e na cadeia de valor. Quando esse posicionamento é consistente ao longo do ano, o Dia das Mulheres deixa de ser uma ação isolada e passa a funcionar como consequência natural de um compromisso já estabelecido.  

 

Se o poder de consumo feminino hoje redefine critérios de escolha e influencia reputações, o maior desafio das marcas passa a ser compreender a pluralidade dessas consumidoras. Reduzir "a mulher" a um perfil único é um dos erros mais recorrentes do mercado. Gerações, territórios, contextos sociais e culturais distintos moldam expectativas e percepções diferentes sobre produtos, narrativas e posicionamentos.  

 

A oportunidade estratégica está menos em falar para mulheres e mais em colocá-las no centro das decisões. Isso significa ampliar a escuta, investir em representatividade real e transformar posicionamento em prática cotidiana. Quando essa lógica se consolida, o Dia das Mulheres deixa de ser apenas uma data de campanha e passa a representar algo mais profundo: um reflexo da relação construída entre marca, sociedade e consumidoras ao longo de todo o ano.  

 

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